terça-feira, 31 de julho de 2018

À PRIMEIRA VISTA


Resenha por João de Carvalho
Título: À Primeira Vista
Autora: Alzira Biciate Tolentino
Editora: Fapi Ltda.
Ano:  2007
Página: 79

Pontuação:   5/5

Apreciação:

Alzira Biciate Tolentino nascida num lugarejo chamado Bicuíba, Minas Gerais, mora em Itabirito há quinze anos. Aqui, está o livro que outrora fora só um sonho. Descreve-se como “Um pássaro que chora buscando sua libertação”, sonho, saudade, tempo, terra, amor, tristeza, promessas, despedidas, reencontro, são palavras-chave de sua poesia. “Não se deve buscar longe o que está dentro de nós”, conceitua ela com certeza e emoção.

Na verdade Poesia é ação criadora. A visão da vida e do mundo, através dos olhos do poeta é uma visão completamente nova. O poeta tem sempre a visão virginal das coisas. A poesia vive no íntimo do poeta, escondida e silenciosa, somente ele a sente e ouve. O poeta cria poesia onde quer que viva, como a roseira cria rosas onde quer que floresça. O verso é a forma da poesia. Assim aprendi, um pouco com meu antigo professor de Literatura, Delson Gonçalves Ferreira, da UFMG. Assim concebido, reproduzo os seguintes poemas de Alzira:

              PRETENSÃO
Palavras para definir o indefinível,
desejando o intangível
num poema brega.
O coração humano é brega.
Cheio de anseios... Anseios estranhos.
A noite caiu há algum tempo e enegreceu meu mundo
eternamente,
com nuances de azul-marinho e preto.
Falta um brilho que busco há tempos.
E não consigo alcançar,
porque não há futuro nem longe, nem perto daqui.
                              05-01-2005, quarta feira 23:13

              SAUDADES...
Sempre no plural.
Amigos, amores, família,
tudo o que ficou pra trás e que continua presente
Saudades...
Fatos que não voltam.
Pessoas que jamais voltarão.
Saudades...
É bom sentir, dói sentir.
Faz parte da vida.
Uma forte sensação
nada apaga, nem o tempo.
Este abranda;
não diminui nem elimina,
só enfraquece as saudades...
          21-11-2004 domingo 22:24

Notei que a poetisa Alzira datou cada poema, no tempo e no espaço, para fixar o momento da inspiração poética que invadira sua alma naquele instante, e, assim, expressar sua agradável poesia-emoção.
Boa leitura de “À Primeira Vista”.


quarta-feira, 18 de julho de 2018

O MULATO


Apreciação por João de Carvalho

Título: O Mulato
Autor: Aluísio de Azevedo
Editora: Martin Claret
Ano:  1909 (1ª publicação)
Página: 278

Pontuação: 5/5

Apreciação:

Aluísio Tancredo Belo Gonçalves de Azevedo (1857-1913) é maranhense que foi morar no Rio de Janeiro com seu irmão Artur Azevedo, como caricaturista. Retornou à sua terra escrevendo para a Imprensa. Lançou vários livros, entre eles “O Mulato” (1881).

 “O núcleo narrativo deste romance é o caso amoroso entre Raimundo e sua prima Ana Rosa. Surge um obstáculo: o preconceito racial da família da moça e de toda a sociedade maranhense, pois Raimundo é mulato. Ante o impedimento têm atitude oposta: Raimundo recua; Ana Rosa, não. Ousadamente leva o namorado a seduzi-la. O rapaz recobra ânimo e planejam então, a fuga. O projeto malogra, por intervenção de D. Diogo, que já era responsável pela morte do pai de Raimundo, tornando-se agora mandatário da execução do próprio mulato (rapaz). Esta morte recebe a versão generalizada de suicídio. Ana Rosa se desespera ao ver chegar o corpo (cadáver) do amado. Seis anos depois o leitor a descobre, casada com Dias, o executor de Raimundo, mãe de três belos filhinhos.

 Estilo. O Mulato relata um caso de amor em que: 
1) As convenções sociais, o preconceito, o conservadorismo vencem o sentimento “amor” das personagens. 
2) Entre o bem e o mal este é o vitorioso. 
3) O vilão, o mau padre D. Diogo, elimina o mocinho. 
4) O mocinho é desprezado por todos, enquanto que o vilão é admirado, respeitado. 
5) A mocinha desposa o cúmplice do vilão.

As constatações acima mostram que as personagens não podem escolher seu próprio destino, pois ele é decidido por fatores alheios à sua vontade. As vidas humanas são joguetes do meio dos instintos, da época, fato que caracteriza O Mulato como um romance naturalista. O naturalismo é uma corrente estética de fins do século passado, filiada aos princípios filosóficos do positivismo e do determinismo que considerava o mundo regido por leis naturais e o homem, condicionado pela raça, meio social e momento histórico.”
(Editora Ática S.A., Suplemento de Trabalho).

Em suma, O Mulato é um notável romance realista, atraente, cujo cenário é São Luís do Maranhão, relatado em 3ª pessoa. Explora o preconceito racial, a escravidão, hipocrisia do clero da época, o provincialismo. O mal que vence o bem. No fim, o casal, Ana e Luís, vive burguesamente.

É um excelente livro. Recomendo!


sexta-feira, 13 de julho de 2018

UM PASSEIO POR BELO HORIZONTE



















Os “Quatro Cavaleiros do Apocalipse”: Fernando Tavares Sabino, Hélio Pellegrino, Otto de Oliveira Lara Resende e Paulo Mendes Campos, são um convite a leitura.

Desde 2005 as estátuas dos escritores em bronze, em tamanho natural, estão dispostas em frente a Biblioteca Pública de Minas Gerais,  Belo Horizonte. 

A arte foi intitulada  “Encontro marcado”. Vale a pena ver de perto. Uma sugestão para as férias.

Sugestões de leitura do autores citados:

·   Fernando Tavares Sabino:  “O Encontro Marcado” (1956),  “A marca” (1944) e “A vida Real” (1952) e as crônicas “A cidade vazia” (1950), “O homem nu” (1960) e “A companheira de viagem” (1965).
·     Hélio Pellegrino:  “A palavra escrita” e “Hora do recreio”.
·     Lara Resende: “O lado humano” (1952) e  “Boca do inferno” (1957).
·     Paulo Mendes Campos: ”Lucidez embriagada” e “Minérios domados”


quinta-feira, 12 de julho de 2018

CONTOS


Apreciação por João de Carvalho

Título: Contos
Autor: Machado de Assis
Editora: Melhoramentos
Página: 272

Pontuação: 5/5

Apreciação:

Machado de Assis é o maior escritor da literatura brasileira (1839-1908). Filho de pais humildes. Magro, mulato, franzino e doentio, tinha tudo na medida certa para ser desprezado pela vida em sociedade. Mas, a tudo superou, tornando-se excepcional literato, fundador da Academia Brasileira de Letras e seu presidente.

Foi um gênio da literatura brasileira. Autor de apreciadas obras românticas e realistas. É um verdadeiro dissecador da alma humana. Destaco sua engenhosidade literária através de Dom Casmurro (1900). Entretanto, hoje, vamos apresentar com base no professor Teotônio Marques Filho, pequenas remissões aos “Contos”, resumidamente:

1) A Cartomante: é o caso de um adultério dentro de um triângulo amoroso, trágico;
2) Um Apólogo entre a agulha e a linha;
3) Conto de Escola: é na escola que se formam o caráter e a punibilidade do adulto;
4) Cantiga de Esponsais: um velho regente que não sabia compor;
5) Missa do Galo: mostra a liberdade masculina nas questões amorosas e a sexualidade reprimida;
6) O Caso da Vara: focaliza o conflito entre adulto e adolescente;
7) Almas Agradecidas: focalizam o tema da amizade;
8) Longe dos Olhos: analisa o casamento de conveniência, movido pelo interesse, em busca de comunhão de bens;
9) Carolina: jovem abnegada, respeitada. É o caso da heroína romântica;  
10) Felicidade pelo casamento de duas almas gêmeas com final feliz.

Finalmente, convidar os leitores para que leiam este livro, porque é marcado por fino humor e sutil ironia. Retrata as duas fases de sua alma realista e romântica, sempre preocupado com a análise dos caracteres dos personagens de cada “Conto”, com uma linguagem coloquial, objetiva, realista/romântica, sóbria, irônica, humorista, analítica, conforme exige cada enredo, sempre atraente.

Recomento a leitura de CONTOS para todos aqueles  que gostam de uma boa e variada forma de narração e linguagem pura.


terça-feira, 3 de julho de 2018

O SORRISO DA CIGANA

Resenha por Mara Carvalho

Título: O Sorriso da Cigana
Autor: Luciano Guimarães Pereira
Ano: 2017
Páginas: 124

Apreciação:  5/5

Resenha:

A história fala sobre o Senescal, que servia a um rei jovem.

O Senescal sofria de uma tristeza que não tinha nome. Suspeitava-se que ele havia pisado em uma roseira preguiçosa e ferido seu pé.

“Roseira preguiçosa é uma roseira que sofre de uma doença. Seu caule fica fraco e, ela se deita, crescendo esparramada, cheia de espinhos e incapaz de dar flores.”

Certo dia, ele se depara com uma cigana que lhe esboça um sorriso. Aquele sorriso lhe trouxe uma mudança interior. Aquele sorriso de simples não tinha nada, mas possuía uma força indescritível, a força de vida.

A história do Senescal foi para mim um exemplo de que, muitas vezes, nos deixamos levar por situações que nos carregam para a tristeza, o desânimo e a depressão  que nos acompanham por tanto tempo que, às vezes, fica difícil de lidar. Entretanto, basta apenas um sorriso, uma pequena chance de nos agarrar a um sentimento maior, capaz de nos trazer novamente à beleza da vida, um ressignificar a vida, o  amor e a felicidade.

Um texto lindo, de linguagem simbólica, que nos traz ensinamentos maravilhosos! Basta deixar o coração aberto para entender e sentir.

Parabéns ao autor Luciano Guimarães Pereira que, além de nos proporcionar esta linda obra, reverte a arrecadação de seu livro para campanhas de combate à retinopatia diabética e à cirurgias de catarata.

Fotos com o autor e livro autografado:




Claro que recomendo!

Boa leitura!