segunda-feira, 20 de maio de 2019

SEGREDOS DE FAMÍLIA

Resenha por Mara Carvalho

Título: Segredo de família
Autora: Lisa Wingate
Editora: Globo Livros
Edição: 2018
Páginas: 364

Apreciação:  5/5

Resenha:

Este é o meu primeiro contato com a autora e tive uma ótima impressão.

A história é fictícia, entretanto a base para sua criação é verídica. Vou explicar direitinho:

De 1922 a 1950 Georgia Tann, vendeu no mercado negro dos EUA, cerca de 5 mil crianças. A maior parte destas crianças foi roubada de famílias pobres ou teve autorizações de seus pais para doação, eles assinavam tais documentos sem saber o que assinavam e nunca mais viam seus filhos. O trabalho de Georgia Tann era acobertado por amigos poderosos na política e autoridades corruptas, ela usava até policiais no roubo de crianças. Baseando nestes dados e uma extensa pesquisa a autora cria sua história.

O livro inicia com um acontecimento em 1939 e já no próximo capítulo pula para os dias atuais e depois para o passado novamente, logo percebo que o livro é uma mescla de épocas. Segredos de família serão desvendados contando as histórias do presente e do passado. Gosto muito desse tipo de escrita.

O livro narra, na época antiga, a história de uma família, o casal Briny Foss e Queenie e seus  5 filhos (4 meninas e 1 menino), com idades entre 12 e 2 anos de idade. Uma família que mora em uma casa/barco (Arcádia) que viaja pelo rio durante o ano inteiro, seguindo as estações.

 A parteira está no barco com a mãe em trabalho de parto para chegada do 6º filho do casal.  Ela percebe que são dois bebês pra nascer, e ele não estão na posição que deveriam. Ir para o hospital é a única chance de mãe e filhos sobreviverem e é um desespero, não da tempo de esperar mais nada e eles tem que deixar as crianças no barco e ir. E é aí que a tragédia inicia, aí entra a participação de Georgia Tann e o roubo das crianças Rill, Camellia, Lark, Fernie e Gabion.

Já nos dias atuais os personagens são Avery Stafford, Vovó Judy, May Crandall, Trend Turner, Senador Wells Stafford,  Honeybee, Elliot e outros mais.

Alguns fatos acontecem e levam Avery a querer descobrir qual a ligação existe entre  May Crandall e Vovó Judy. Ambas estão idosas e cada uma mora em asilo diferente, mas Vovó Judy já está com Alzheimer e fica difícil ter informações precisas e ela vai precisar de ajuda.

A história é fascinante e o livro muito bem escrito e prende o leitor do início ao fim. É inacreditável que tantas crianças tenham passado por situações semelhantes que as crianças do livro e por tantos anos essa prática criminosa perdurou. 

É um livro que claro que indico, vale muito a pena!!!

Boa leitura!!!

sexta-feira, 26 de abril de 2019

OS SETE MARIDOS DE EVELYN HUGO


Resenha por Mara Carvalho


Título: Os sete maridos de Evelyn Hugo
Autora: Taylor Jenkins Reid
Editora: Tag  - Experiências Literárias em parceria com editora Paralela
Ano de publicação: 2019
Páginas: 411

Apreciação: 5/5

Resenha:

Evelyn Hugo, uma lenda do cinema, perto dos oitenta anos de idade decide contar ao mundo sua verdadeira história. Através de Monique Grant, uma desconhecida jornalista, Evelyn quer tornar público seus segredos.

Uma atriz famosa nas décadas de 50 e 60 e mundialmente conhecida retira o véu da beleza, do glamour, da falsa realidade de vida de Hollywood e mostra o que há por trás dos bastidores.

Os sete casamentos, os sete maridos. Um livro cheio de surpresas, amores, intrigas e traições, além de um mistério, por que uma jornalista escolhida ao acaso para trazer ao mundo a história de uma atriz tão famosa?

O livro é uma edição especial da “Tag inédito – experiências literárias” em parceria com a Editora Paralela. Taylor Jenkins Reid, autora do livro é americana e seus livros estão entre os mais vendidos.

A leitura é fácil e envolvente e o livro é maravilhoso!!!  O modo como a autora descreve os sentimentos de Evelyn é fantástico! É um livro que prendo o leitor do início ao fim e a gente sofre com o sofrimento dela e fica feliz com a felicidade dela, é muito especial!!!!

É um livro que vale a pena!

Boa leitura!!







terça-feira, 9 de abril de 2019

A ESPIÃ


Resenha por João de Carvalho


Título: A Espiã
Autor: Paulo Coelho
Editora: Schwarcz S.A.
Ano de publicação: 2016
Páginas: 180

Apreciação: 5/5

Resenha:

Paulo Coelho é um escritor de categoria nacional e internacional. No Brasil pertence à Academia Brasileira de Letras, desde 2002, sabendo-se que em 2007 tornou-se mensageiro da paz das Nações Unidas. Seus livros invadiram o mundo, e foram vendidos 210 milhões de exemplares. Sabemos também que o seu clássico “O Alquimista” é o livro brasileiro mais vendido de todos os tempos, dizem os comentaristas de suas obras. Nascido em 1947, no Rio de Janeiro, foi, antes de dedicar-se à literatura, diretor de teatro, dramaturgo, compositor e jornalista. Atualmente, mais de 170 países conhecem alguma de suas obras, já vertidas para 81 idiomas.

É, na verdade, um grande fenômeno internacional. Eu faço parte, como leitor, daqueles que o admiram e gosto de comentar suas obras. Mas, há dois destaques que entendo oportuno registrar, na sua brilhante vida literária, honrando positivamente o Brasil, quando conquistou estes dois prêmios: “O Crystal Award (do Fórum Econômico Mundial) e o título de Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra”.

Hoje, destaco seu mais recente livro intitulado “A Espiã”, com uma atraente capa. Assunto baseado em fatos reais. É um romance. “A personagem Mata Hari (Margaretha Zelle), famosa bailarina exótica, conhecida em toda a Europa, fora acusada e condenada por crime de espionagem. Embora tenha alegado inocência até o último momento, o tribunal não lhe deu ouvido. Até mesmo o homem que a amou testemunhou contra ela. Mas, há ainda uma esperança, uma única esperança.” Qual?  Por quê?  Quando?

O fato é que, neste livro, Paulo Coelho, com grande habilidade, com uma narrativa envolvente, profunda, reconstitui a história desta admirável mulher. Li e gostei. Acredito que ele consegue, nestas páginas, segurar o leitor até o fim, mostrando a personagem bonita, atraente, atual e sempre histórico-descritiva. A imagem da mulher ganha valor, admiração pela sua carismática atuação no romance “A Espiã”.

 Aconselho a Leitura. Vale a pena!


terça-feira, 2 de abril de 2019

O ESPETÁCULO DA CORRUPÇÃO


Resenha por João de Carvalho


Título: O Espetáculo da Corrupção
Autor: Walfrido Warde
Editora: Leya
Ano de publicação:  2018
Páginas: 137

Apreciação: 4/5

Resenha:
Walfrido Warde, escritor deste livro, é reconhecido advogado especializado em litígios empresariais, autor de outros livros. É presidente do IRRE (Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresas). Há um esclarecedor capítulo sobre a Máfia, em vários países.

Em “O Espetáculo da Corrupção, ele combina tanto a análise dos efeitos devastadores de um sistema corrupto quanto a crítica ao modo como temos lutado contra a roubalheira. Para combater a corrupção, segundo o autor, destruímos o capitalismo, demonizamos a política, expomos nossas leis ao ridículo e levamos as instituições a um descrédito que flerta com o irreversível.

O autor critica um sistema que acaba unindo policiais, auditores, promotores, juízes e outros membros da burocracia de controle estatal envolvidos no combate à corrupção. Denuncia a falta de planejamento, a espetacularização e o moralismo que, segundo ele, tem sido regra nas ações anticorrupção – como a Operação Lava Jato.

Assim como o câncer, a corrupção é um mal devastador. Transforma o Estado e suas funções em produtos postos à venda no mercado. Contamina os três poderes, prejudica o desenvolvimento, aprofunda a desigualdade e afronta a dignidade das pessoas e do País. Mas enfrentar esse mal exige soluções capazes de evitar os efeitos colaterais do sistema criado para combatê-lo: a demonização da política, a destruição das empresas, a espetacularização e a desmoralização das instituições.

O autor defende que a punição se concentre nos administradores corruptos, preservando as empresas e os empregos. Para ele, um combate adequado tem de atacar as causas. E as causas, afirma, resumem-se em grande medida à falta de regulação adequada do lobby, determinante para a infiltração do crime organizado nas estruturas do Estado”.

Em suma, a corrupção, como um câncer, é como o desmoronamento de uma barragem da Vale, acaba com tudo que alcança e contamina os três poderes, prejudica a todos e a tudo.

É uma Leitura interessante.


segunda-feira, 18 de março de 2019

TODA LUZ QUE NÃO PODEMOS VER


Resenha por João de Carvalho

Título: Toda luz que não podemos ver
Autor: Anthony Doerr
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 528

Pontuação: 5/5

Resenha:

O período da 2ª Grande Guerra do século XX, 1939/1945, foi desastroso para os judeus que sofreram os horrores do Holocausto que sempre assombrará nossas memórias! Na expectativa absurda de uma raça pura, o Reich era uma forma de desumanizar, isolar, destruir. Foi neste período que o iluminado autor Anthony Doerr construiu seu principal e mais atual livro intitulado “Toda Luz Que Não Podemos Ver”. Nascido nos EUA, formado em história, dono de um forte dom narrativo, com extrema sensibilidade, tornou-se um autor muito premiado, atualmente. Este livro virou best-seller do jornal The New York Times. O autor foi também premiado por dois Livros de Contos e um de Memórias, além do seu segundo livro intitulado de “Quatro Estações em Roma”. Ele, natural de Cleverland, hoje, mora em Boise (Idaho), com esposa e dois filhos.

Partindo para um pequeno comentário da sua principal obra, podemos ver nela o mesmo interesse atual que tem no cinema “A Vida é Bela”, cujo enredo se passa também nos bastidores mais sombrios da 2ª Guerra, caracterizando de maneira sublime o pai (Guido, judeu) e o filho (Josué) que viveram uma dramática situação no campo de concentração nazista.

O livro em comentário, hoje, tem como tema a história de Marie Laure, menina cega desde os seis anos, que morava com seu pai, chaveiro, na França, o qual constrói para a filha uma “maquete do bairro” para que ela, orientando-se, não se perdesse na cidade de Saint-Malo.

Simultaneamente, na Alemanha, havia um jovem, Werner (órfão) que vivia com sua irmã Jutta, que descobriu sua habilidade através de um rádio achado no lixo. Descoberto por oficial nazista ele frequentou uma escola de especialização, e, recebeu a missão de descobrir a fonte de transmissões de rádio responsável pela chegada dos aliados na Normandia. Seu caminho vai cruzar com o de Marie em Saint-Malo, aonde fora designado. Eles tentam, com muito amor, sobreviver à guerra. Narrado em 3ª pessoa conduz o leitor para um grandioso, comovente e ficcional período histórico, onde têm vez: o amor, a dor, a morte, mas também a paciência, o apoio, a resistência dos jovens.

Enfim, trata-se de um tema muito bem explorado pelo autor, que alcança conquistar o leitor com excelente linguagem, descrição de uma linda história de amor, durante os horrores da guerra fratricida, com uma história de dois jovens, misturando drama, suspense e romance.

Recomendo a leitura!

segunda-feira, 4 de março de 2019

O CORCUNDA DE NOTRE DAME



Resenha por João de  Carvalho

Título: O Corcunda de Notre Dame
Autor: Victor Hugo
Editora: Zahar
Páginas: 496
1ª publicação 1831

Apreciação: 5/5

Resenha:

Victor Marie Hugo (26/02/1802 a 22/05/1885) foi um gênio da literatura francesa. Um escritor universal. O imperador do Brasil, D. Pedro II amante e conhecedor das letras e das ciências de sua época mantinha correspondência com os mais famosos escritores e cientistas daquele tempo. Numa viagem a Paris, em 1877, o Monarca convidou Victor Hugo para visitá-lo em um hotel onde se hospedara. O escritor recusou por quê? Porque era defensor da república e da liberdade de pensamento. Então o imperador tomou a iniciativa de visitá-lo, em sua casa. Eram amigos!

São deste notável escritor as preciosas e conhecidas obras de grande apreço e aceitação mundial: Os Miseráveis e Napoleão o Pequeno, entre muitas outras.

Em seu funeral, cujo sepultamento foi no Pantheon de Paris, compareceram mais de um milhão de admiradores. Um recorde para sua época, dizem os comentaristas.

Hoje, quero destacar com entusiasmo, o seu famoso livro “O Corcunda de Notre Dame”. É a história de uma cigana chamada Esmeralda, dançarina das ruas de Paris, nascida Agnes, mas que se tornou famosa pelo primeiro nome. No livro a vilã é “Flor de Lis”. Esmeralda é condenada à morte pelo rei Luís XI, mas é resgatada por Quasínodo que nutria por ela um amor puro. Por sua vez Frollo, arcediago da Catedral amava-a com paixão. Há cenas de tentativa de enforcamento da jovem cigana, salva pela atuação do seu verdadeiro e real admirador. No enredo, Frollo sucumbe pela força e destreza do sineiro da Catedral.Eu me recordo que no filme o ator Anthony Quinn fez, com brilhantismo o papel do Corcunda.

Em suma, o enredo da Obra é sedutor, a despeito de ser o livro bem conhecido.

Victor Hugo, escritor atento à política e ao sistema governamental de seu tempo, explorou, com categoria e beleza expositiva, a narrativa dos fatos mais reais de sua obra, como: a vida dos ciganos (alvo dos poderes públicos!); os mendigos de Paris; o valor histórico da Catedral de Paris; a soldadesca criminosa e impune que servia ao rei; a fidelidade de um homem deformado, mas de nobres atitudes; a maldade de Cláudio Frollo dono do poder religioso, e o conflito amoroso de “Flor de Lis” que amava “Febo”, o qual era também amado por Esmeralda.

O fato é que em 1837, o rei Luís Felipe conferiu a Victor Hugo o título de O Grande Oficial da Legião de Honra. Conclui também que este escritor admirável frequentou sessões espíritas, após a morte de sua filha grávida, em 1843. Foi um escritor vitorioso em suas múltiplas obras.

Recomendo a leitura deste livro, superatraente para os amantes de uma  deliciosa narrativa.


segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

O BOM FILHO



Apreciação por Mara Carvalho


Título:  O Bom Filho
Autora: You-jeong Jeong
Editora: EdiçãoTAG LIVROS em parceria  com Editora Todavia
Tradução: Jae Hyung Woo
Ano 2019
Páginas: 288

Pontuação: 5/5

Apreciação:

O Bom Filho, livro da autora Sul Coreana You-jeong Jeong é um thriller psicológico recheado de suspense. Best- seller número um na Coreia do Sul foi traduzido por Jae Hyung Woo.

A obra é parte da seleção inéditos da “TAG LIVROS” do mês de fevereiro.

Os personagens são da família Kim: Yu-mim, Hae-jim, Ji-won, Hye-won, Yu-jim e Min-seok.
A história é impecável e cheia de detalhes, o personagem principal Yu-mim acorda sentindo um cheiro de sangue:

“O cheiro de sangue me acordou, era um cheiro incrivelmente intenso, como se eu não o absorvesse apenas pelo nariz, mas pelo corpo inteiro.”

Yu-mim já adulto encontra sua mãe morta em casa e aí começa a entender sua própria realidade. O livro conta a descoberta do lado sombrio de Yu-mim, mas a descoberta feita por ele próprio. A descoberta de sua personalidade mórbida.

O livro é muito bem escrito e a história inspirada em um caso real na Coreia do Sul no passado.

Um livro que me deixou tensa, porque eu não sou fã de thrillers, na verdade sou bem medrosa!!!! Mas para os leitores apaixonados por este gênero literário aqui vai esta superindicação.

Boa leitura!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

UM TETO TODO SEU


Resenha por Mara Carvalho

Título: Um  teto todo seu
Autora: Virginia Woolf
Editora: Tordesilhas
Páginas: 189

Pontuação: 5/5

Apreciação:

Virginia Woolf é convidada a dar uma palestra sobre “mulheres e ficção” em uma  universidade para mulheres na Inglaterra em 1928. Ela já era, naquela época, uma escritora conhecida e importante.

O livro “Um teto todo seu” é um ensaio, baseado em dois artigos feitos pela escritora para tal palestra. Uma ficção em que a própria Virginia se faz presente em uma personagem, que seria a Mary, desta forma ela vai organizando os seus pensamentos a respeito do tema.

“Então estava eu  (chamem Mary Beton, Mary Seton, Mary Carmichael ou qualquer nome que lhes agrade – pouco importa”.

Ela inicia a ficção com Mary pensando sobre o tema “mulher e ficção”e naquela empolgação dos pensamentos fervilhando ela começa a andar pelo campo envolvida apenas em seus pensamentos quando, de repente, ela é repreendida.

“... foi assim que me vi andando extremamente rápido através de um gramado. Na mesma hora a figura de um homem surgiu para me interceptar. Não percebi de pronto que  as gesticulações daquele objeto curioso, de fraque e camisa formal, eram dirigidas a mim. O rosto dele expressava horror e indignação. O instinto, em vez da razão, veio me socorrer: ele era um bedel; eu era uma mulher. Aqui era o gramado; ali estava o caminho. Somente os estudantes e os professores eram admitidos aqui; o cascalho era o meu lugar...”

Através das pesquisas de Mary ela percebe que as mulheres ainda estavam “presas em si mesmas”, que não lhes era permitido escrever.

“.... e nas portas fechadas da biblioteca; e pensei como é desagradável ficar presa do lado de fora; e pensei como talvez seja pior ficar presa do lado de dentro...”

Questões profundas são levantadas por Virginia na pele de Mary.

E ela conclui que a mulher precisa de dinheiro e um teto todo seu, um espaço próprio se quiser escrever ficção. A mulher precisava de liberdade...

O livro é fantástico. Há muito para dizer sobre o livro, mas nada melhor do que lê-lo, portanto, mãos à obra.

Preciso dizer ainda que a capa do livro é linda e bem atrativa, dá vontade de ler só pela capa, um capricho da editora.

Boa leitura! 


quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

O GUARANI


Resenha por João de Carvalho

Título: O Guarani
Autor: José Martiniano de Alencar
Editora: L&PM
Páginas: 72

Pontuação: 5/5

 Apreciação:

José Martiniano de Alencar (1829-1877) produziu uma obra que é o retrato mais fiel e perfeito de sua posição político-social: Grande proprietário rural, político, conservador, monarquista, nacionalista exagerado e escravocrata.

No livro O Guarani, o índio individualizado em Peri, é civilizado, vive em contato com os brancos. Ele chega a ser batizado, para que possa salvar Cecília (Ceci), assim afirmam os melhores e mais didáticos comentaristas como Nicola em “Ensino Médio”. O escritor se vangloria quando escreveu que “Busquei uma nova maneira de escrever bem brasileira, com heróis e cenários bem brasileiros. Fiz sucesso e fiquei famoso”.

Constato que ele disse a verdade. Foi um notável escritor cearense de Fortaleza. Foi autor de livros que abrangem as temáticas do Romantismo urbano, histórico, regionalista e indianista. Desta última fase destaco, hoje, O Guarani, cujo livro valoriza o índio como representante máximo da brasilidade. Espírito este superabsorvido pelo Autor.

 O Guarani foi escrito em 1857, como um romance histórico ficcional. Na figura do herói Peri, ele realça o bem, o bom, o belo, o justo, o verdadeiro, a força, o amor, o sacrifício, a luta e a vitória final na deliciosa trama do livro. Vale dizer que Alencar nesta época tinha 28 anos de idade, apenas. Entre os muitos fatos que compõem o enredo destaco que “Peri para salvar Cecília (Ceci), durante uma grande enchente, arrancou o tronco de uma palmeira jovem que lhes servira de instrumento para superarem uma calamitosa tempestade. Mas, antes aconteceram fatos muito importantes como: “A morte de Álvaro/Isabel. D. Antônio de Mariz, face a um ataque de tribo inimiga, recomenda a Peri que salvasse Cecília.”

As personagens são: Perí – Cecília – D. Antônio – Laureana – Diogo – Isabel – Álvaro – Loredano – Bento – Rui e Martin Vaz. Eles viviam em fazendas às margens do rio Paquequer com suas famílias, em luta contra os índios Aimorés. Esta casa recebia todo tipo de gente. Diversos episódios acontecem envolvendo o herói Peri, que supera com sua bravura, lealdade e amor à amada Ceci.

Enfim, Alencar é um mestre na descrição romântica e na valorização de seus personagens, conquistando o leitor com os episódios mais vivos e vigorosos de sua mente afinada com o Brasil. O Guarani foi adaptado em Ópera por Carlos Gomes. Foi elevado ao Cinema desde 1912. Vivido em história em quadrinhos assim como em poesia de Cordel. Foi publicado por vários editores nacionais e estrangeiros, ganhando fama e renome internacional.

Recomendo!