quinta-feira, 25 de outubro de 2018

OS SANTOS QUE ABALARAM O MUNDO


Apreciação por João de Carvalho


Título: Os Santos Que Abalaram o Mundo
Autor: René Fülöp-Miller
Editora: José Olympio
Edição: 23ª
Ano: 2017
Páginas: 421

Pontuação: 4/5

Apreciação:

O autor, René Fülöp-Miller, húngaro, jornalista, editor e escritor, com notável currículo, também é autor de “Rasputin” e das biografias de Lênin, Gandhi, Tolstói, Dostoiévskie e do Papa Leão XIII. Viveu como eremita na ilha grega de Atos, voltando, depois, à posição primeira de escritor. O livro em comentário, consta das seguintes personagens que abalaram o mundo:

ANTÃO, O SANTO DA RENÚNCIA e o ascetismo que atinge  o patético de um grande exemplo. Na sua vida, a negação de si mesmo é levado à intensidade de um drama ou de uma epopeia. O interior do deserto egípcio é um cenário que parece transferir a ação pra uma atmosfera de irrealidade. A pobreza de Antão torna-se o símbolo e protótipo de toda a pobreza;

AGOSTINHO, O SANTO DA INTELIGÊNCIA, “A Cidade de Deus, de Agostinho, tem toda a fascinação de uma das mais notáveis obras de literatura. Nela, as mais ousadas visões e as narrativas mais realísticas trabalham suavemente juntas, para invocar as mesmas imagens; os relatos contemporâneos do campo de batalha e da sorte dos anjos decaídos, a história romana e a história da criação, anedotas do tempo e acontecimentos eternos misturam-se na proclamação da mesma verdade.”

FRANCISCO, O SANTO DO AMOR, “A inspiração produzida pelas palavras de Francisco e por toda a sua personalidade não influenciou tão somente a imaginação de poetas e artistas; não somente causou uma mudança revolucionária na tendência artística dos tempos; sua força irresistível afetou também as grandes massas de homens e mulheres comuns e mudou-lhes os hábitos de pensamento, de emoções e de ações”.

INÁCIO, O SANTO DA FORÇA DE VONTADE, “Um caráter ao qual nenhuma paixão podia corromper; um senhor da autodisciplina a quem os derradeiros vestígios do amor-próprio haviam abandonado; um homem que viveu exclusivamente ao serviço de Deus, assim reza uma descrição do geral da Sociedade de Jesus, santo Inácio de Loyola, ao tempo de sua morte”.

TERESA, A SANTA DO ÊXTASE, “Com Santa Tereza surge, no círculo dos santos, uma mulher cuja santidade lhe foi imposta por Deus. Sua experiência de Deus lhe veio num estado de arrebatamento extático e dominou-a com força elementar. Na vida extraordinária desta santa, os acontecimentos naturais se cruzam sobre esferas sobrenaturais, as ordens terrenas e celestes se misturam, visões emergem da percepção”.

É um excelente livro de caráter totalmente religioso cristão. Destina-se às pessoas católicas apostólicas, que gostam de biografia de Santos.



quinta-feira, 4 de outubro de 2018

OS CAMINHOS DE MANDELA


Apreciação por João de Carvalho


Título: Os caminhos de Mandela
Autor: Richard Stengel
Editora: Globo
Edição: 2010
Página: 237

Pontuação: 5/5

Apreciação:

Richard Stengel é editor-executivo da revista Time. Colaborou com Nelson Mandela na autobiografia “Longo Caminho Para a Liberdade”, além de ter sido produtor do documentário Mandela, indicado para o Óscar em 1996. E, também de outros dois livros. Acredito que ele se superou ao escrever esta biografia, onde sobressaem as lições de vida, amor e coragem dele.

Na introdução do Livro, há expressivas afirmações que merecem destaque como:

“É um homem de muitas contradições. Sua personalidade é uma mistura de realeza africana e aristocracia britânica. Nunca conheci um ser humano que consiga ficar parado como ele, mas é um espírito encantado e confiante que irá seduzi-lo. Odeia desapontar. Seu charme está em proporção inversa ao quanto Ele se conhece.  É indiferente a quase todos os bens materiais. Vai sempre defender o que acredita ser correto com uma teimosia virtualmente inflexível. Ele teve muitos professores em sua vida, mas o maior de todos foi a prisão. A prisão moldou o homem que nela entrou aos 44 anos e saiu aos 71.”

 “Mandela, como homem, é entusiasmado, emotivo e sensível”, escreveu seu amigo Oliver Tombo.

A vida dele é um modelo não apenas para nossa época, mas para todas as épocas. A prisão (27 anos) refinou lições de vida e liderança dele. Ele acalentou o ideal de uma sociedade livre. Tornou-se um líder inspirador. Defendia que liderar da retaguarda funciona. Os líderes não devem apenas liderar, mas devem ser vistos liderando. A prisão abriu-lhe a visão para o bem. Foi um homem romântico e pragmático. Gostava de cultivar horta, nas prisões. Soube absorver o lado positivo de várias personalidades e construir a própria.

 Em conclusão: Este livro é uma biografia elaborada do grande líder sul-africano Nelson Mandela, com 15 capítulos agradáveis de serem lidos, sendo sua experiência singular e universal. Ele nos comove porque é o exemplo moderno do herói arquétipo; homem arrancado do nada enfrentou desafios, sofreu provações e tragédias, quase fracassa, mas retorna e consegue a harmonia. Ele inspira um sentimento de confiança que é o alicerce da liderança.

Recomendo a todos a leitura desta agradável biografia do líder Mandela.