segunda-feira, 25 de junho de 2018

NIETZSCHE PARA ESTRESSADOS


Apreciação por João de Carvalho
Título: Nietzsche Para Estressados
Autor: Allan Percy
Editora: Sextante
Ano: 2011
Páginas: 109

Pontuação: 4/5

Apreciação: 

 É um livro curto, fácil leitura, gênero autoajuda. São 99 doses de filosofia deste notável escritor alemão, que me fazem lembrar , há muitos anos, do saboroso livrinho de pensamentos, os mais variados e positivos possíveis, que nortearam também a minha juventude, intitulado “Minutos de Sabedoria”, escrito por Carlos Torres Pastorino, em 1966.

No presente livro, escrito por Allan Percy, cada capítulo é iniciado por um dito, um aforisma de Nietzsche (1844-1890). Em geral as pessoas, que desejam uma orientação sadia, não se esquecem destes ensinamentos rápidos condensando a sabedoria do bem viver, quando os leem com o propósito de praticá-los na vida diária.

As situações do dia a dia encontram nestas normas sugestivas uma fonte de otimismo, valorização da pessoa e, sobretudo, conforto para enfrentar os problemas da vida, combatendo o bom combate contra as preocupações diárias, por vezes adversas e sufocantes. Hoje são muitos os escritores que se dedicam à escrita, em busca de caminhos certos e corretos de se levar a vida neste emaranhado de problemas que envolvem a existência das pessoas.

Alan Percy, focado em Pensamentos de Nietzsche, tece comentários sobre eles, dando a sua interpretação.

 É uma inteligente visão atual do pensamento do notável escritor germano. Eis algumas frases ou máximas que são comentadas pelo autor:

1 – Seus maiores bens são seus sonhos; 
2 – Todos os grandes pensamentos são concebidos ao caminhar; 
3 – Toda queixa contém em si uma agressão; 
4 – O que não nos mata nos fortalece; 
5 – A esperança é mais estimulante que a sorte; 
6 – Só quem constrói o futuro tem direito de julgar o passado; 
7 – O amor não é um consolo – é luz.

Estes pensamentos filosóficos valem pelo comentário do autor Allan Percy porque são mais explícitos e convincentes. 

Leitura saudável!



sábado, 23 de junho de 2018

A CIVILIZAÇÃO DO ESPETÁCULO

Apreciação por João de Carvalho

Título: A Civilização do Espetáculo
Autor: Mário Vargas Llosa
Editora: Objetiva
Ano: 2013
Páginas: 206

Pontuação: 5/5
  
Apreciação: 

É uma obra de um dos mais importantes e destacados escritores da atualidade: Mário Vargas Llosa. Peruano, jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário. Recebeu notáveis e valiosos prêmios, inclusive “O Prêmio Nobel de Literatura” em 2010. Seu berço foi em 1936, em Araquipa (Peru).

Agora, destacamos e analisamos seu livro “A Civilização do Espetáculo”, que é uma radiografia do nosso tempo e da nossa cultura, feito com competência, conhecimento e talento. Eis, as palavras introdutórias, autoescritas por este brilhante intelectual:
Este pequeno ensaio não tem a aspiração de aumentar o já elevado número de interpretações sobre a cultura contemporânea, mas fazer constar a metamorfose pela qual passou aquilo que entendia por cultura quando minha geração entrou na escola ou na universidade”.

A gente nota que o livro, no final de cada capítulo, traz sempre com destaque títulos denominados “Antecedentes”, com assuntos variados, atraentes e oportunos. Demonstra que conforme vai passando o tempo, os valores vão mudando e o que é considerado Cultura, também muda muito. Vargas Llosa escreve que a  “Civilização do Espetáculo é a de um mundo onde o primeiro lugar na tabela de valores vigentes é ocupado pelo entretenimento, onde divertir-se, escapar do tédio, é a paixão universal”.  Mas, transformar em valor supremo essa propensão natural é divertir-se, tem como consequência a banalização da cultura, a massificação aliada à frivolidade  cultural de nosso tempo.

Em suma, são seis capítulos densos de observações, análises e conclusões importantes que nos dão uma profunda e valiosa radiografia do que é considerado Cultura no nosso tempo. Mário Vargas afirma que
 “A cultura, no sentido tradicionalmente dado a esse vocábulo, está prestes a desaparecer”.  Ele faz isto com um olhar inconformista.
É um livro de ideias e ponderações muito atualizadas.  Recomendo!

sexta-feira, 8 de junho de 2018

EU, PESCADOR DE MIM


Resenha por Simone Carvalho

Título: Eu, pescador de mim
Autor: Wagner Costa
Editora: Moderna
Ano: 2012
Página: 120

Apreciação:   5/5

Resenha:

Uma aventura divertida que nos mostra um adolescente da cidade que sai à procura de seu horizonte no mar. Sai em busca de seus sentimentos mais profundos diante da vida que se apresenta para ele, como um mistério a desvendar. Encontra pessoas de coração cheio de amor pelas águas, que lhes trazem os peixes, que sustentam suas famílias.

Passam dias e noites onde Pepê, o adolescente aprende muita coisa prática, no pequeno barco; e muitas outras coisas que levam ao conhecimento de sua alma de aventureiro.

 É um livro leve, mas ao mesmo tempo, profundo de sentimentos!

 Leia e aprecie uma ótima aventura.


sábado, 2 de junho de 2018

AMAR, VERBO INTRANSITIVO


Resenha por João de Carvalho

Título: Amar, Verbo Intransitivo
Autor: Mário Raul de Morais Andrade
Editora: Via Leitura
Ano 1ª publicação: 1927
Página: 128

Apreciação:   4/5

Resenha:

Mário Raul de Morais Andrade (1893-1945), paulista de nascimento, tornou-se professor e folclorista, musicista, escritor, intelectual, escreveu poesia, ficção, crítica de letras e artes. Tornou-se notável pela organização da Semana de Arte Moderna, em 1922. Literariamente se destaca com a poesia “Pauliceia Desvairada”. Em 1928 publicou “Macunaima” um de seus melhores livros.

Queremos destacar seu romance Modernista intitulado “Amar, Verbo Intransitivo”, cujo enredo pode ser assim descrito, genericamente: Conta a história de um adolescente com a orientação de uma mulher madura, uma alemã instrutora contratada pelo pai do jovem superrecatado. A maior parte da narração se dá na casa de Carlos.

Os personagens principais são: Felisberto Souza Costa, o pai. Dona Laura, a esposa. Carlos Alberto, o filho. Elza Fraulein, a instrutora contratada. Aldina e Maria Luíza, irmãs de Carlos. Tanaka, a criada. O sexo foi sempre um “tabu”, cuja definição é: Aquilo que é proibido de ser violado. Trata-se de um termo polinésio usado para designar todo objeto que, nas culturas totêmicas, é protegido pela interdição.

O Autor, ao descrever o trabalho de iniciação de Carlos, sobre sexualidade, pela Fraulein, retrata a inexperiência do filho e da calculista e desinibida professora.

A “ambiguidade” é uma característica reconhecida até pelo título do livro. Hoje, o assunto já se tornou comum, mas naquela época marcava de modo muito forte o comportamento social da vida familiar.

Este livro é uma obra da primeira fase do Modernismo. É um romance ousado, que marcou época, cujo conteúdo a sociedade admitia, mas não discutia claramente como soe acontecer hoje.

Vale esclarecer que o verbo amar é transitivo! O Autor traduz, assim, a ideia do Pai de Carlos de que “o ato de amar pode ser praticado independentemente de haver um objeto do amor”.

Leitura agradável para quem gosta deste gênero literário, ambientado por este tema.