Título:
Holocausto Brasileiro
Subtítulo: Genocídio: 60 mil mortos no maior hospício do
Brasil
Autora: Daniela Arbex
Editora:
Geração
Ano: 2013
Páginas:
255
Apreciação: 5/5
Resenha:
O maior hospício do Brasil desde
1903, na cidade de Barbacena, MG.
O
livro é fruto de extensa pesquisa da jornalista Daniela Arbex. A autora inicia o livro com o depoimentos de Marlene, contratada como atendente
psiquiátrica em 1975.
Ao entrar no pavilhão, pela primeira vez, Marlene sente o
odor fétido.
O que ela vê são cerca de 280 homens, a maioria nu, espalhados pelo
chão. A mistura de seres humanos, fezes, urina e ratos é degradante.
Muitos pacientes chegavam de trem, o chamado “trem dos doidos”. Chegando na estação iam para a colônia, lá entregavam todos os seus pertences, inclusive as roupas que vestiam, os homens tinham seus cabelos raspados. Os nomes não tinham mais importância, pois não eram mais chamados pelos próprios nomes, assim como nos campos de concentração.
Os pacientes chegavam de todas as
partes do Brasil, os deserdados sociais.
“Um campo de concentração travestido de
hospital”.
Sem um critério médico adequado,
o hospital era destino de desafetos, homossexuais, militantes políticos, mãe
solteira, alcoolistas, mendigos, negros, pobres, pessoas sem documento e todos
os tipos de indesejados, inclusive os chamados insanos.
O projeto era para 200 pacientes,
mas lá viviam (ou sobreviviam) 5000. Para que pudessem caber mais pessoas, eram
retiraram as camas e substituíam por capim, assim, no chão, eles passavam
décadas de sofrimento.
“Ao receberem o passaporte para o hospital, os passageiros tinham sua
humanidade confiscada”.
Internos bebendo água de esgoto
As sessões de eletrochoque eram
aplicadas como castigo e intimidação, tinham característica de tortura e muitos
pacientes morriam.
Com as autoridades, igreja e
população fechando os olhos para esta barbárie, esta situação perdurou por
décadas.
Cerca de 33 crianças foram internadas. |
Mas, graças a pessoas como Irmã
Mercês Hatem Osório, Paul Foucault, Ronaldo Simões Coelho, Francisco Paes
Barreto Antônio Soares Simone e Franco Basagha e Luiz Alfredo, esta triste
história teve um fim. Hoje ainda encontramos alguns sobreviventes deste terror de
lugar que foi o hospício de Barbacena.
Crianças que passaram anos no hospício puderam ter casa de verdade, eles foram abrigados no CEPAI, Centro Psíquico da Adolescência e Infância. Muitos deles não sabiam falar, se alimentar e cuidar do próprio corpo, fruto de sua criação de descaso.
O livro é bastante ilustrado e as fotos foram tiradas pelo fotógrafo Luiz
Alfredo em 1961. Hoje estas fotos fazem parte do Museu da loucura em Barbacena.
O livro choca muito, mas é
preciso ver e saber a verdade, para que isto nunca mais aconteça!
Vale a pena ler, indico!!!
Boa leitura!
Obs: Se tiver um tempinho, clique aqui e assista ao documentário: Em nome da razão, do cineasta Helvécio Ratton, filmado em 1979.
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Bjs